Home  >  Sala de Imprensa

 

Ação do futuro

Fonte: Jornal Valor Econômico

Por Danilo Fariello 05/09/2006

Se você aplicou nas dezenas de ofertas públicas que ocorreram nos últimos meses, poderá já começar a avaliar seus próximos investimentos. Um grupo de seis empresas que estuda ir ao mercado aberto em busca de parceiros para crescer mais se apresentará em breve na Bovespa. Em geral, são já casos de sucesso cujos papéis poderão, em breve, estrear na bolsa e elevar o número de alternativas para os aplicadores.

No dia 12, essas empresas se apresentarão a potenciais investidores no Fórum Brasil de Abertura de Capitais, promovido pela Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), ligada ao Ministério da Ciência e Tecnologia. As candidatas a companhias abertas são: DBA Engenharia de Sistemas, Blanver, Controil, Mectron, Memphis e Teikon.

Dos fóruns anteriores, que ocorrem desde 2002, uma terço das empresas participantes já veio ao mercado. Exemplos são Datasul, Lupatech, CSU e Company. Todas ingressaram na Bovespa pelo degrau mais alto, o Novo Mercado. Empresas que participam desses grupos costumam passar por processos de adaptação rígidos para respeitar critérios mais elevados de governança corporativa, padrão que tem sido cada vez mais exigido pelos investidores da Bovespa ao adquirir novos papéis.

O conjunto das empresas é diversificado de tal modo que atenderia diferentes perfis de investidores em bolsa. Entre as selecionadas para o Fórum, há desde empresas com mais de 50 anos, como a produtora de artigos de higiene Memphis - dona de marcas tradicionais como Alma de Flores e Senador - até grupos como a Teikon Tecnologia Industrial, empresa criada há menos de dez anos que lucra com a terceirização de manufaturas eletrônicas por outras empresas do setor.

A gaúcha Teikon quer elevar sua receita de R$ 34,3 milhões em 2005 para cerca de R$ 77 milhões neste ano, segundo Paulino Ramos Rodrigues, diretor financeiro. Ele diz que a empresa já adotou auditoria e conselheiros independentes para se enquadrar em padrões elevados de governança. A empresa já tem prática em lidar com investidores minoritários, pois recebeu aporte do fundo de venture capital CRP Caderi e do BNDES.

A conterrânea Memphis, criada em 1949, não necessita de recursos imediatamente para crescer. "O mercado de cosméticos já vem crescendo acima do PIB nos últimos anos e acompanhamos essa evolução", diz Clovis Cortesia, diretor financeiro da empresa. "Queremos, por enquanto, sondar o mercado para avaliarmos a viabilidade de uma abertura de capital."

Como a Teikon, outras empresas com importantes fatores tecnológicos participarão do evento. A DBA , empresa com maior rentabilidade no setor na última edição do Valor 1000, é fornecedora de serviços de tecnologia de informação para outros países. "Precisamos de maior escala e investimentos", diz Paulo Mordehachivili, diretor de relações com investidores (RI), justificando uma futura abertura do capital. Para ele, esse setor tende à consolidação, portanto é preciso crescer e buscar a liderança do mercado. "A bolsa é um caminho para isso, principalmente porque poderemos atingir potenciais investidores estrangeiros."

Além da diretoria de RI, a DBA já adotou outros itens de governança para se lançar a mercado, como auditoria independente. "Podemos não apenas lançar ações, como outros ativos financeiros, tais como debêntures conversíveis em ações", diz Mordehachivili.

A Mectron desenvolve produtos de alta tecnologia para mercados de defesa e aeroespacial a partir de São José dos Campos (SP), onde está a maioria dos clientes. Também no setor tecnológico, a Mectron precisa crescer mais para não ficar para trás no seu setor, por isso a bolsa pode ser o caminho para juntar capital. A empresa, com cinco sócios, faturou R$ 28 milhões no ano passado e nunca teve financiador externo. "Mas queremos crescer mais para fornecer para o exterior", diz Rogério Salvador, diretor comercial da Mectron.

Entre as empresas produtoras de insumos para a própria indústria, a paulista Blanver é a nova candidata à bolsa. A empresa familiar produz cápsulas e comprimidos para a indústria farmacêutica, mas quer crescer em outros nichos que atua mais timidamente, como alimentos e cosméticos. No Fórum da Bovespa, Sergio Frangioni, diretor comercial da Blanver, espera fazer contato com potenciais investidores e distribuidores de seus papéis. "O custo desse capital seria menor do que se procurássemos empréstimos bancários."

A gaúcha Controil quer recursos para financiar um processo de expansão que prevê faturamento de R$ 240 milhões em 2010. Hoje, a empresa vende freios hidráulicos apenas para reposição, mas o planejamento estratégico prevê o fornecimento para as montadoras. "Além disso, queremos também promover a venda de parte do capital dos sócios oferecendo ações em bolsa", diz Gilso Gotardo, superintendente da Controil.

Todas as empresas possuem ou buscam oferecer todas as garantias aos acionistas que as posicionem no Novo Mercado, diz João Batista Fraga, superintendente de operações da Bovespa. Não dá para precisar quantas delas ou quais vão chegar ao mercado, diz, mas ele lembra que muitas empresas que passaram pela experiência estão hoje no pregão.

A partir de uma eventual oferta de ações de alguma dessas seis empresas, a Bovespa poderá lançar o seu Bovespa Mais, mercado de acesso com vantagens para companhias que queiram fazer operações menores. Para praticamente todas essas empresas, ainda não há definição entre o Bovespa Mais e o Novo Mercado.

Para Rodrigues, da Teikon, no Bovespa Mais haveria dificuldade em precificação das ações da empresa e menos liquidez. Mas, pelo tamanho atual, o Bovespa Mais poderá ser uma opção para a Blanver. Fraga, da bolsa, diz que o Bovespa Mais poderá ser uma conseqüência do estímulo à abertura de capital das empresas menores, mas não seria esse o objetivo principal do fórum. "Mas essa poderia ser uma boa solução para esse grupo de empresas."
Voltar

 

DBA - Tecnologia da Inovação Inteligente