 |
Brasil é visto no cenário internacional como promissor em serviços de TI Fonte: Trends
O Brasil se juntou a longa lista de nações que buscam reproduzir ao menos uma porção do vasto sucesso indiano em serviços de offshore outsourcing. Assim como a Índia, o país oferece um atrativo ambiente de negócios, com alguma força significante para o desenvolvimento desses serviços.
Nas últimas décadas, o Brasil pode ser comparado a uma Montanha-Russa do ponto de vista econômico e político, em razão de uma inflação instável que deixou marcas na indústria nacional de TI. No início dos anos 90, as capacidades financeiras de prestação de serviços despencaram durante o período de alta da inflação. Desde 2003, o Brasil desfruta de uma relativa estabilidade sob o governo do presidente de Luís Inácio Lula da Silva, contradizendo recentes temores de que o governo Petista não teria a capacidade de conduzir bem os negócios neste setor.
Hoje, a meta do Brasil pretende competir com a Índia e se tornar grande referência no fornecimento de serviços de TI. Para isso, o país organizou seu setor interno e montou a Associação Brasileira de Exportadores de Serviços e Software (BRASSCOM), composta por um grande número de fornecedores locais como CPM, Datasul, DBA, Itautec, Politec e Stefanini e o Instituto Brasil para Convergência Digital (IBCD), que está trabalhando intensamente na solidificação da exportação de serviços e software brasileiros.
Atualmente as taxas de faturamento do mercado nacional de serviços de TI estão mais altas que as da Índia, na ordem de mais ou menos $40 por hora, mesmo com a inflação ainda oscilante do país. Em razão disso, as gigantes do mercado de TI, resolveram investir, embora um pouco inseguras em razão da oscilante economia brasileira.
Fatores a favor do Brasil no mercado de TI:
· Abundantes habilidades de Mainframe. Embora a Índia se orgulhe de sua forte capacidade de infra-estrutura, suas poucas habilidades em mainframe fizeram a IBM deixar o país em 1978, situação inversa a do Brasil. Aqui a IBM mantém uma presença contínua desde 1917, solapada por sua grande base no conhecimento e operacionalização na área de informática. Além disso, fornecedores estrangeiros, como a própria IBM, estão trabalhando próximos às universidades locais, colaborando e incentivando o desenvolvimento de diversos projetos e novas tecnologias na área, por parte dos estudantes.
· A vigorosa economia local. O Brasil é de longe o país latino-americano com maior força econômica e investimentos significantes nos setores de agricultura, mineração, manufaturas e serviços. O país está entre as 10 maiores economias do mundo, em parte, graças à força de trabalho de mais de 90 milhões de trabalhadores. Apesar de forte, a economia brasileira, ainda não inspira tanto a confiança de fornecedores e seus clientes, como na China. Isso prova que o Brasil ainda necessita reforçar o setor para receber maiores investimentos.
· Compatibilidade cultural com clientes norte-americanos é fator favorável. O Brasil possui uma excelente compatibilidade cultural com os clientes norte-americanos, com raízes afixadas pela colonização européias e seu forte mercado de turismo.
Fatores que vão contra o Brasil no mercado de TI:
· Limitações com a língua inglesa. A língua inglesa é bem difundida no Brasil, mas não é onipresente como em outras potências de serviços de offshore como Índia e Irlanda. Além disso, existe a presença de outros idiomas que não o inglês como italiano, alemão, entre outros. A cidade de São Paulo, por exemplo, possui uma vasta colônia de japoneses, fato que os torna capaz de servir bem aos propósitos de offshore japoneses. Mesmo assim, está sendo difícil para alguns os fornecedores encontrar pessoas com habilidades em japonês.
· Falta de processos e planejamento retardam o Brasil na competição com outros países. O atraso brasileiro é significante em relação à utilização plena do modelo CMM- Capability Maturity Model e na certificação COPC- Customer Operations Performance Center. Apesar de muitas certificações serem emitidas em larga escala, o número de empresas brasileiras certificadas em CMM nível 5, pode ser contado nos dedos. Por isso, Organizações nacionais estão expandindo o uso dos programas e capacitação de pessoal no modelo CMM, impulsionado pela recente entrada de consultorias indianas no mercado brasileiro. Um exemplo disso é o caso da Tata Consultancy Services (TCS) que está presente no Brasil e realizando serviços para o Grupo Real ABN AMRO. A empresa assinou um contrato de um ano para capacitar mais de 270 empregados das afiliadas do Grupo ABN na sua utilização do modelo CMM.
|
|
 |