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O que falta ao Brasil para se tornar atraente

Fonte: GAZETA MERCANTIL ON-LINE

Índia e China são principais destinos de centralização dos serviços de TI em multinacionais. A Philips gerencia a partir do Brasil servidores localizados na matriz holandesa, nos Estados Unidos e na América Latina. O caso é um exemplo de como o País pode ser uma fonte de serviços globais de tecnologia da informação para multinacionais. E se outras empresas começam a trazer atividades, como a Caterpillar, Kodak, Rhodia e Bosch, o Brasil ainda precisa cumprir uma série de esforços para se tornar uma opção mais atraente para concentrar os trabalhos de tecnologia da informação.

No processo global que tem levado grandes empresas a migrar seus recursos de TI, por conta da economia de custos, dos países desenvolvidos para lugares como Índia e China, falta ao País mais formação, mão-de-obra barata e volume de prestadores de serviço locais com alta qualidade.Tornar o Brasil um centro global de serviços incentivaria a indústria local de desenvolvedores de software e prestadores de serviço, além de abrir um canal de saída para a exportação aos Estados Unidos e Europa. Também as maiores fabricantes de tecnologia poderiam trazer mais produção.

Para colocar o Brasil na rota da TI internacional, o consultor Flávio Grynszpan, diretor da Grynszpan Projetos e Serviços Empresariais promove em fevereiro o seminário sobre Centros de Competência de Empresas Globais, em São Paulo, apoiado por empresas brasileira de TI, como Stefanini, CPM, Tivit e DBA, e pelas internacionais IBM, EDS e Atos Origin, que aproveitam o Brasil como plataforma de desenvolvimento.

"Queremos reunir diretores de TI, que estão preocupados com o enfraquecimento das subsidiárias com a concentração de serviços na Índia e como o Brasil pode se tornar uma alternativa para as empresas que não querem colocar todos os ovos em uma cesta", diz o consultor, que acredita ser muito difícil superar os baixos custos dos concorrentes.O governo precisaria ajudar a diminuir custos de impostos com mão-de-obra e na formação de profissionais, mas o seminário pretende se focar em iniciativas do segmento privado. Os participantes propõem formas de divulgação de uma imagem internacional do País em tecnologia.

Em um trabalho paralelo, o recém-criado comitê de componentes de informática da Câmara Americana de Comércio (Amcham-SP) prepara proposta ao governo para ampliar os benefícios da Lei de Informática. Segundo o presidente do comitê e diretor comercial para a América do Sul da fabricante americana de semicondutores Texas Instruments, a lei atual só beneficia a montagem de componentes de informática. "Então as empresas importam material e só montam as placas, mas isso não alavanca o desenvolvimento de produtos e a criação de empregos, por ser uma atividade bastante automatizada. Queremos que a Lei de Informática tenha um incentivo a mais para quem desenvolver aqui", diz.

Segundo o executivo, as propostas são bem-recebidas no governo, mas há uma grande dificuldade de execução, até por envolver diversos órgãos, como o Ministério da Fazenda, Ministério da Ciência e Tecnologia, e o Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
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