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Governo anuncia agenda para o setor de software

Fonte: Jornal Valor Econômico

Enquanto as cinco maiores fornecedoras de serviço de TI no Brasil - IBM, HP, Accenture, Unisys e EDS - são estrangeiras, a DBA ocupa a 10ª posição, acumulando US$ 61,8 milhões anuais em vendas de serviço de TI no país.

Após uma longa espera, o governo anuncia hoje, em conjunto com a Associação Brasileira das Empresas Exportadoras de Software e Serviços (Brasscom), os resultados de um trabalho encomendado à consultoria AT Kearney para servir como base a um plano estratégico de desenvolvimento do setor, que está contemplado na política industrial. A pesquisa estava pronta há mais de dois meses, mas não era formalizada por dificuldades para conciliar as agendas do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) e do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).

O estudo faz um diagnóstico da atual situação do mercado de exportação de software e serviços correlatos, sugere como as empresas brasileiras devem se posicionar, traça as diretrizes estratégicas para o setor e traz uma agenda para alcançar o que foi planejado.

A principal recomendação é que a oferta de serviços de TI seja focada em segmentos específicos, como serviços financeiros, sistemas para governos , telecomunicações e varejo. Nessas área já há forte demanda e competências no mercado interno. A proposta da AT Kearny é utilizar essa base criada internamente como ponta-de-lança das exportações.

O mercado brasileiro de software e serviços de tecnologia da informação movimenta US$ 7,7 bilhões por ano, correspondendo a 1,6% do Produto Interno Bruto nacional. As exportações contudo, somam hoje apenas US$ 300 milhões. A meta do governo é chegar a US$ 2 bilhões em 2007.

Segundo a consultoria, o mercado mundial de terceirização de serviços de TI está avaliado em US$ 607 bilhões e crescerá 6% ao ano até 2008. A parte disso que as grandes companhias multinacionais alocam em outros países representa um volume bem mais modesto – cerca de US$ 8 bilhões – , mas deve crescer 40% ao ano até 2008. Esse mercado aumenta à medida que as empresas americanas e européias percebem que é mais barato centralizar os seus gastos de tecnologia longe das matrizes, em países em desenvolvimento.

O levantamento da AT Kearney é o maior trabalho sobre o assunto já elaborado no Brasil. A iniciativa segue os passos do que fez a indiana Associação Nacional das Empresas de Software e Serviços (Nasscom, cujo nome foi copiado pela Brasscom) na década de 90, quando encomendou um estudo similar à consultoria McKinsey. O trabalho criou as bases da indústria exportadora de serviços de desenvolvimento de software da Índia, hoje a líder mundial.

“Agora temos um documento que retrata a nossa realidade e apresenta as vantagens do país”, afirma Jairo Klepacz, secretário de tecnologia industrial do MDIC. “Vamos comunicar ao mercado internacional que o Brasil é um participante desse setor por meios dos instrumentos de promoção comercial de que dispomos”.

A ambição do governo é colocar o Brasil entre as cinco principais nações que atuam na área de exportação de softwares e serviços de tecnologia da informação. Hoje, segundo o ranking “Global Services Location Index”, elaborado pela AT Kearney, o país ocupa a décima posição no interesse que desperta em potenciais clientes. Índia, China e Malásia lideram.

O Brasil tem pontos fortes a serem explorados, como a cultura similar, a proximidade física e a pequena diferença de fuso horário em relação a Europa e Estados Unidos, os principais compradores. Entre os desafios estão criar uma imagem de excelência ma área de software e serviços de TI, melhorar a qualidade e a quantidade de mão-de-obra disponível, reduzir a carga tributária e aumentar o número de fornecedores com certificados de qualidade na produção de software.
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DBA - Tecnologia da Inovação Inteligente