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Sucesso das exportações de softwares depende de marca global

Fonte: IG - Cidade Biz

Uma das explicações para o fracasso brasileiro na área de exportação de softwares é o modelo que privilegia a venda de pacotes, na avaliação de Ricardo Saur, diretor-executivo da Associação Brasileira das Empresas de Software e Serviços para Exportação (Brasscom). A entidade congrega seis das maiores empresas brasileiras de softwares, criada no final de fevereiro com a função de promover a venda de programas e serviços brasileiros ao exterior.

Para o executivo, o sucesso da venda de softwares de pacote (programas que combinam várias funcionalidades que se relacionam entre si) depende de uma marca comercial conhecida globalmente. "Isso exige capital", disse Saur. O executivo participou da reunião do Comitê de Tecnologia da Informação da Amcham-SP nesta semana.

Entre os grandes fornecedores de pacotes estão gigantes mundiais como SAP, Oracle e PeopleSoft, destacou Saur. "Até 2003, o modelo exportador era voltado à venda de pacotes e incentivava apenas as pequenas e médias empresas", criticou o diretor. "Enquanto isso, a Índia saiu do nada para US$ 8 bilhões em exportações em 2003".

No mesmo período, o Brasil vendeu US$ 100 milhões em softwares e serviços ao exterior e mantém a meta de US$ 1 bilhão para 2010.

O modelo da Índia para o setor foi baseado, principalmente, na exportação de serviços de codificação. "Não temos a menor chance de ir atrás desse modelo", defendeu Saur.

O motivo são os baixos salários pagos a esse tipo de profissional na Índia.

O diretor da Brasscom enumerou uma série de fatores competitivos favoráveis ao posicionamento do Brasil no mercado exportador de softwares e serviços: alta capacitação técnica, baixos custos de treinamento e infraestrutura, estabilidade política, boa rede de telecomunicações e o fato de o país estar no mesmo fuso horário do mercado americano.

Como aspectos desfavoráveis ele citou a dissociação da marca Brasil da área de tecnologia e a insuficiente disseminação do inglês.

Saur esclareceu que, diferentemente do consórcio Next, que tem como objetivo promover a venda do produto brasileiro no mercado americano, a Brasscom quer promover a marca do país como fornecedor de software de qualidade. A entidade tem como sócios fundadores a CPM, Datasul, DBA, Itautec, Politec e Stefanini.

O próximo passo do grupo será a contratação de um estudo sobre as potencialidades do Brasil, a ser encomendada a uma empresa de consultoria de renome internacional. "Estamos buscando o apoio do governo brasileiro para esse trabalho", afirmou Saur.

O esforço das empresas brasileiras segue os passos da Índia, onde empresários da área de tecnologia reuniram-se na Nasscom há mais de dez anos e encomendaram à Mckinsey um estudo para mostrar ao mundo o potencial da indústria indiana de software. Batizado "The Indian IT Strategy", o trabalho serviu para abrir portas no mercado internacional, contribuindo para que o país atingisse a posição de destaque alcançada hoje.
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