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Por que os Certificados são tão valiosos Fonte: Informática Hoje
Profissionais certificados encontram emprego mais fácil, certo? Depende. Empresas de serviços estão precisando de profissionais com certificados específicos, como PMP, CMM, BS 7799, CFPS. Assim, elas ganham pontos em licitações públicas, e fazem bonito entre empresas da iniciativa privada. Mas, em empresas comuns, o CIO prefere confiar em evidências de que o candidato é, para resumir, um ótimo profissional. Contudo, visto que muitos dos certificados modernos exigem do profissional concentração no negócio, eles impõem respeito. O profissional de TI terá de se preparar para rearranjar a carreira e estudar bastante: o processo de certificação está complexo e exige experiência prévia. E para investigar: aquecido, o mercado de certificações atraiu empresas de quinta categoria.
Entra ano, sai ano, muita coisa muda menos esta: certificados e cursos de certificação estão sempre na moda. Entra ano, sai ano, muita coisa muda, menos esta: o rolo compressoar das novidades tecnológicas está sempre aposentando certificados antes valiosos e valorizando certificados antes valiosos e valorizando certificados antes quase desconhecidos. 2004 está quase esaindo, 2005 está quase entrando: profissionais certificados por organismos internacionais de prestígio começam a ganhar força. Certificados de gestão de projetos ainda estão na moda, certificados de segurança estão cada vez mais importantes; e certificados relativos à melhoria da qualidade no processo de desenvolvimento de software viraram um show à parte.
As certificações atuais são mais complexas, chegam a exigir experiência por parte do candidato, e são mais caras: os preços espantam aqueles só empolgados. Pelo investimento de tempo e dinheiro que exigem, esses diplomas são bancados por empresas, as que precisam de profissionais estrelados no quadro; às vezes, são bancados pelo próprio profissional, quando tem um plano de carreira muito bem concebido. É o caso de Marcelo Lemos Fernandes, possuidor de dois certificados mais cobiçados atualmente; em parte por causa de seus certificados, Fernandes acaba de assumir a gerência da prática de segurança da informação no escritório da PricewaterhouseCoopers no Rio de Janeiro.
Empresas do setor público têm puxado certificados para cima e para baixo. Nos editais, é cada vez mais comum encontrar itens como quantidade de profissionais com certificados CFPS (especialista certificado em contagem de pontos de função; certified function point specialist), emitido pelo Grupo Internacional de Usuários de Pontos de Função (IFPUG); ou com certificado PMP (profissionais de gestão de projetos; project management professional), emitido pelo Instituto de Gestão de Projetos (PMI). Empregar o número certo de profissionais com certificados certos não garante, ao fornecedor, a vitória na licitação; mas eleva bastante sua pontuação, explica Ricardo Costa, diretor da Fábrica de Software da DBA. Atualmente, a empresa emprega 15 profissionais PMP.
Na iniciativa privada, certificações individuais não têm o mesmo apelo. Ao escolher fornecedores de serviços, a maioria das empresas ainda prefere conferir os projetos já instalados, a carteira de clientes, as referências, a credibilidade de que goza o provedor no mercado. "Olho com cuidado as certificações mencionadas numa proposta", informa Paulo Franco, diretor de tecnologia da Liberty Paulista de Seguros. "Porém, o mais importante é haver evidências de que a certificação está sendo empregada em boas realizações." Ao contratar profissionais de TI, Franco dá mais valor aos profissionais com certificados nas tecnologias usadas na infra-estrutura de TI. Costa, da DBA, concorda com Franco: na iniciativa privada, conta mais a qualidade da proposta, a experiência em segmentos correlatos, as referências e, sobretudo, o preço. Wellington José Brigante, gerente de TI da Camargo Corrêa Cimentos, diz que os certificados dos profissionais empregados pelo fornecedor não chegam a eliminá-lo. Mas avisa: "Como optamos por tercerizar serviços, verificamos se os fornecedores habilitados têm CMM ou ISO 9001. "A história do fornecedor, seus casos de sucesso, valem mais do que certificações, diz Brigante. A Camargo Corrêa Cimentos terceriza a operação da infra-estrutura, da assistência técnica (help desk) e do desenvolvimento de sistemas; também recorre à área do grupo que presta serviços compartilhados.
Uma parte da equipe de Brigante é responsável pela definição das características técnicas e do escopo dos serviços e dos sistemas. São seis consultores de negócios. Em função disso, Brigante daria preferência a profissionais com PMP (embora não empregue nenhum) e com mestrado em administração (MBA). "São certificações voltadas para o negócio, e não para a tecnologia." Em 2005, num investimento feito pela Camargo Corrêa, dois profissionais da equipe serão capacitados para obter um PMP. " Além disso, estamos investindo na capacitação de nosso pessoal em assuntos voltados aos negócios, como exportação, comércio eletrônico, controladoria, entre outros."
Também a DBA resolveu investir em certificados PMP para seus funcionários. Entre eles, Carlos André Cruz, gerente de projetos da empresa. Formou-se em matemática (modalidade informática) em 1992, entrou na DBA, em 1996, e em 1998 assumiu a coordenação de uma equipe, encarregada de um projeto na área de telecomunicações. Foi quando começou a pensar nos aspectos administrativos da profissão. "Primeiro, decidi fazer um MBA em gerência de telecomunicações, concluído em 2002. Mas já no meio do curso ouvi falar em PMP e me interessei pelo assunto." Levou à diretoria da DBA a idéia de criar um curso interno de preparação para o PMP; a diretoria gostou da idéia. A primeira turma começou com 20 pessoas. Metade terminou o curso. Foram oito meses de estudo, uma vez por semana durante três horas, depois do expediente. Cruz conseguiu seu certificado em março de 2002; sem ele, não teria a oportunidade de trabalhar no escritório de projetos da DBA em Brasília, nem de trabalhar em projetos importantes para a Brasil Telecom, a Oi, a TIM. "Não sei o que vou fazer daqui a cinco anos. Com a evolução da carreira, vejo algumas lacunas e trato de preencher." Já pensa num MBA executivo em 2005 e na atualização do certificado PMP.
Existem poucos PMPs no Brasil. "São como moscas brancas", exagera Brigante. De acordo com Paulo Ferreira, diretor de grupos técnicos da representação do PMI em São Paulo, há 575 PMPs brasileiros, dos quais 269 em São Paulo. "Vale lembrar", diz Ferreira, "que a certificação serve para qualquer ramo de atividade, embora a TI seja a área mais expressiva e carente." Havia 65 PMPs em São Paulo em 2001, 130 em 2002, 187 em 2003. A explicação desse crescimento, para Ferreira: o mercado notou as vantagens de contratar PMPs, um,a vez que falam a mesma linguagem em qualquer lugar do mundo.
Dois certificados muito valiosos, em função do pequeno número de especialistas, são o CMM e o CMMi, que permitem ao profissional avaliar o grau de maturidade de organizações dedicadas à produção e à manuntenção de software. (CMM vem de capability maturity model e CMMi vem de capability maturity model integration). Por causa do descompasso entre demanda e oferta, a Sociedade para Promoção da Excelência do Software Brasileiro (Softex) fez uma chamada pública para identificar empresas interessadas em participar de um projeto para qualificação de profissionais no modelo CMMi. A empresa escolhida terá de formar cinco avaliadores-líderes no método Scampi (sigla em inglês de método de avaliação, no padrão CMMi, da melhoria dos processos) e dois instrutores. O anúncio da proposta vencedora está previsto para 15 de Novembro; os profissionais deverão estar formados até junho de 2006.
O Brasil conta com menos de uma dezena de profissionais qualificados para atuar como avaliadores CMM e CMMi. O primeiro brasileiro a obter o certificado CMM foi Carlos Alberto Caram, que se associou à norte-americana ISD para abrir uma subsidiária no país. Além da avaliação do modelo, a empresa presta consultoria para empresas interessadas em adequar seus processos aos padrões do Instituto Norte-Americano de Engenharia de Software (SEI). No final do ano passado, Caram se certificou em CMMi. Desde o início da carreira, procurou juntar o mundo da tecnologia com o dos negócios. Em 1993, ano em que não era comum cursar duas faculdade ao mesmo tempo, ele se formou em administração de empresas e em ciências da computação pelo Mackenzie. Ainda em 1983, foi contratado pela Cargill Agrícola como estagiário de informática. Ficou 13 anos na empresa, e foi lá que começou a trabalhar com programas de qualidade. Saiu para ser diretor de qualidade e parcerias da G&P. Trabalhando mais de perto no assunto, resolveu dar um passo mais ousado e ofereceu sociedade aos norte-americanos, que toparam.
A ISD Brasil estreou em 1999. Hoje, conta com quatro avaliadores credeciandos em CMM (incluindo ele), dois avaliadores de CMMi (incluindo ele) e uma instrutora CMMi. Sem falar de prazos, Caram diz que está trabalhando para ter mais avaliadores. Há outros certificados valiosos na área de segurança. Existem poucos brasileiros com tais certificados, em razão do altíssimo nível técnico exigido. Só no ano passado foi possível realizar cursos e o exame para CISSP (profissional certificado em segurança de sistemas de informação, certified information systems security professional) no Brasil, visto que a subsidiária brasileira da Etek Internacional assinou acordo com a (ISC)2. Sergio Salimbeni, presidenrte da Etek, não consegue dizer quantos profissionais CISSP havia no Brasil antes da parceria. Hoje, garante, são 90 certificados no Brasil e 24.836 no mundo.
Embora os CIOs digam que os certificados têm importância relativa, é deles boa parte da razão da popularidade dos certificados. As grandes empresas têm sido obrigadas a adotar uma série de boas práticas de gestão de TI, em razão de leis como a Sarbanes-Oxley ou o Acordo Basiléia 2. A pressão repassada para os fornecedores de serviços, que, por sua vez, tratam de investir em qualidade.
Um novo negócio surgiu: o de preparar profissionais para exames. Entre empresas de treinamento sérias, pipocam escolas de quinta categoria; entre alunos sérios, pipocam mentirosos. Algumas das fraudes são simplórias, como conta Ricardo Nogueira, consultor sênior sa Case, empresa especializada no recrutamento de pessoal para a área de TI. "Alguns enviam currículos com selo de certificação estampado quando, na verdade, não são certificados." Aos que se sentem forçados a mentir, por se sentir diminuídos, Nogueira explica: possuir um certificado não é automaticamente "bom", assim como não possuir nenhum certificado não é automaticamente "ruim". Brigante, da Camargo Corrêa, explica o porquê: "O lado pessoal ainda é o mais importante. Prevalecem o comprometimento, a responsabilidade e o potencial do funcionário."
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