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De games a biomassa, Brasil testa aceitação na Unctad Fonte: Valor Econômico
Um software que usa inteligência artificial para combater o crime, jogos que simulam o comportamento e a atitude de pessoas reais, um bioóleo que é extraído de resíduos como bagaço de cana e pode substituir o diesel: tudo isso parece coisa de ficção científica, mas são tecnologias existentes, desenvolvidas no Brasil, que estão sendo apresentadas na 2004 Technology Fair of the Future, em São Paulo, como parte da 11ª Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), em São Paulo.
Das 144 empresas que participam da exposição, 67 são brasileiras. Há grandes companhias nacionais na mostra, como a Embraer e a Itautec. A maioria delas, porém, tem outro perfil: tratam-se empresas recentes, muitas recém-saídas de incubadoras ligadas a universidades, mas que já conseguiram fechar negócios no exterior e vêem, na Feira do Futuro, uma possibilidade de fixar presença no exterior.
É o caso da E-biz, fundada há dois anos. Com sede em São Paulo e fábrica de software em Florianópolis, a companhia criou um programa que está sendo implantado em 1,6 mil delegacias de São Paulo. O software analisa grandes bases de dados e permite fazer correlações entre eventos aparentemente sem ligação entre si. Isso pode ajudar, por exemplo, a detectar o "modus operandi" de um criminoso ou uma quadrilha que ataca em várias áreas da cidade.
A tecnologia, baseada em recursos de inteligência artificial, pode ser aplicada em outras áreas, como educação. "Nosso foco é nas áreas de governo e instituições financeiras", diz Jaime Leonel de Paula Júnior, diretor da empresa, que já apresentou sua tecnologia em exposições na Itália e Espanha.
Perto de completar cinco anos, a Jynx, instalada no parque tecnológico Porto Digital, no Recife, cria jogos e simulações com aplicações em várias áreas. Na de entretenimento, o principal produto é o FutSim, de futebol, que é jogado pela internet e vendido como um serviço. O usuário paga uma mensalidade para ter acesso ao game. "Já estamos desenvolvendo a segunda versão do jogo, para lançá-lo no mercado externo", conta André Luiz Monteiro de Araújo, um dos sócios da Jynx.
Em outro segmento, o de "advergames" - basicamente jogos para fins de marketing e relacionamento -, a empresa já produziu seis títulos e vendeu programas para sites de companhias como Coca-Cola e Brasil Telecom. Agora, para explorar o segmento de games para aprendizado, o que inclui treinamento empresarial, a Jynx está criando um jogo que vai reproduzir os desafios de administrar um restaurante self service e será usado pelo Sebrae.
Não é só o software brasileiro que está em exibição na Feira do Futuro. A carioca Tauá Biomática - criada há dois anos e meio pelo grupo Aurizônia, que tem negócios em áreas como petróleo e estaleiros - está apresentando o Zyt, um equipamento no qual investiu US$ 1,5 milhão. Acoplada a um computador, a máquina é usada para garantir a segurança dos dados na assinatura digital de documentos.
Entre outros recursos, o Zyt exige identificação por impressão digital e cartão com chip. Como a assinatura é concluída fora do PC, o sistema está resguardado do ataque de vírus e outros tipos de invasão, diz Márcio Campos de Lima, diretor da Tauá.
Na área de energia renovável, uma das representantes brasileiras é a Bioware, de Campinas (SP). "Oferecemos tecnologia própria para converter biomassa em energia", diz José Dilcio Rocha, diretor da companhia. Biomassa, ele explica, é o nome dado a resíduos que vão de bagaço de cana a lodo de esgoto. A tecnologia transforma esses materiais em um bioóleo que pode substituir o diesel, entre outras aplicações.
Para o núcleo de gestão do Porto Digital, que também funciona como um posto avançado (ITPO, na sigla em inglês) da Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento Industrial (Unido) - organismo que realiza o evento -, a estratégia brasileira é muito clara: desenvolver canais internacionais durante a feira para posteriormente promover road shows pontuais, diz Valério Veloso, diretor-executivo do Porto Digital e chefe do ITPO brasileiro. Além dos EUA e dos países europeus, outro mercado-alvo é a China. "O ITPO chinês veio com um grupo de 15 empresários, todos com demanda em software", afirma Veloso.
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