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Educação, emprego e exportação

Fonte: B2B Magazine

A equação exportação-emprego é o principal trunfo do Brasil na busca do crescimento sustentável nos próximos anos. A geração de moeda forte não atrelada a dívidas ou remessas de lucro, por um lado, e o aumento de vagas de trabalho de valor agregado, por outro, são dois dos três elementos que podem fazer o País mudar seu patamar de desenvolvimento – o terceiro é a educação.

Os três Es – Educação, Exportação, Emprego - são os alicerces do crescimento sustentável. O atual contexto econômico mundial, o setor da economia que talvez melhor traduza a força da combinação da geração do emprego de alto valor agregado, o emprego do chamado knowledge worker (ou trabalhador do conhecimento),com o potencial de exportação de empresas de capital nacional, é o setor de serviços de tecnologia da informação (TI). Neste setor, o faturamento gerado por uma empresa está diretamente atrelado ao trabalho humano – é o conhecimento humano que gera a receita, e nada mais.

A India já exporta US$ 10 bilhões por ano em serviços de TI, voltados principalmente para a alocação de analistas e programadores, muitas vezes estudantes recém-formados, em projetos de desenvolvimento de software corporativo. Os projetos são de empresas americanas e européias – os empregos são indianos, dentro da India. São mais de 200 mil empregos diretos de alto valor agregado gerados por um único segmento da economia.

De acordo com Danilo Meth, sócio diretor da DBA Engenharia de Sistemas, em 2002, o Brasil exportou US$ 100 milhões em software, do quais quase nada em serviços, apesar de ter um setor de TI de tamanho semelhante ao da Índia. Ou seja, não refletimos para o mundo nosso expertise em serviços de tecnologia da informação; não vendemos aquilo que faz dos nossos bancos, das nossas empresas e do nosso governo organizações ultra capacitadas do ponto de vista tecnológico, qualquer que seja a comparação no mundo, disse Meth.

Meth acrescenta que, no segmento de software, este é um momento decisivo para as empresas nacionais. O Governo já anunciou que pretende atingir a meta de 2 bilhões de dólares em exportações. É possível chegar a tanto? E como colaborar para isto? A Índia, a China, os Estados Unidos e a Rússia são os principais competidores nesta corrida para gerar receita de exportação com o conhecimento humano.

E por que citamos esses quatro países? Simples: são eles que mais investem em uma nova modalidade de serviço em tecnologia da informação, que está tomando conta do mercado internacional – são os Offshore Delivery Centers (ODCs), o novo degrau de capacitação e qualificação, no ODC a gestão das pessoas e dos processos de uma empresa ganha prioridade integral.

Quem busca obter níveis internacionais de qualidade, além de melhores práticas de gestão, deve investir nesta idéia. Isso porque um ODC vai muito além das fábricas de software tradicionais, hoje um lugar comum em qualquer empresa de serviços de TI, explica.

Nos ODCs estabelecidos no mundo, o relacionamento com uma universidade de reconhecimento internacional tem sido fator crítico de sucesso. Na China, as universidades estão se abrindo para convênios com o capital internacional; na Rússia, mês passado, foi assinado um convênio com uma empresa americana para a construção de um ODC com a presença dos Presidentes Bush e Putin. Na Índia, existem mais de 30 ODCs estabelecidos por empresas indianas e multinacionais.

Os parques tecnológicos têm uma relação privilegiada – ativa e estreita – com universidades e centros de pesquisa, oferecendo ambiente propício para o desenvolvimento de empresas e seus profissionais. Estatísticas da International Association of Science Parks – IASP, entidade que congrega mais de 250 parques em 55 países, demonstram que 90% de todos os parques existentes no mundo estão com planos de expansão.

Criar um Offshore Delivery Center exige atender a uma série de características singulares. Entre elas destacam-se a integração com universidades - transformadas em fábricas de conhecimento - a construção de um local apropriado para o abrigo de empresas incubadoras, infra-estruturas de energia e telecomunicações de alta disponibilidade, a gestão integrada e devidamente ferramentalizada de todo o processo de outsourcing dos serviços de tecnologia, além de proximidade com aeroportos com saídas nacionais e internacionais.

A vantagem do ODC como fator exportador não é, apenas, uma questão do melhor preço para o cliente, mas, também, está relacionado ao acesso a perfis técnicos raros e garantia de desenvolvimentos futuros. E para este novo mercado o Brasil se coloca como um grande potencial de liderança. A revista The Economist destaca o Brasil como um dos três maiores potenciais em offshore delivery. Os Offshore Delivery Centers despontam como uma oportunidade excepcional para o país conquistar um papel de liderança na venda de serviços de software no mundo.

Mais do que aumentar os negócios das empresas de software, os ODCs são um passo importante para gerar postos de trabalho de alto valor agregado no Brasil. Como precisam estar localizados em áreas de universidades, eles tornam-se, obrigatoriamente, um pólo gerador de empregos e de pesquisa e desenvolvimento tecnológico. Recursos humanos da universidade são desenvolvidos e trabalhados para unificar conhecimento teórico com o da prática do dia-a-dia.

O passo pioneiro para o surgimento do primeiro ODC no Brasil já foi dado, quando a DBA Engenharia de Sistemas - empresa de controle acionário 100% nacional – fechou parceria com o Parque Tecnológico do Rio de Janeiro, para a construção do primeiro ODC da América Latina, afirma.

A implementação de projetos de infra-estrutura e estruturantes de setores com alto potencial de exportação é o alvo prioritário das ações necessárias ao desenvolvimento sustentável das exportações, por isto, o projeto da DBA prevê que a UFRJ estará liberada para repassar a metodologia para qualquer outra empresa ou instituição interessada em investir no conceito de ODCs no País.

O Offshore Delivery Center não é um olhar apenas para o mercado externo, mas também para o interno. É preciso ampliar a nossa gestão de conhecimento. Está evidente que o Brasil não pode ficar fora deste novo cenário que se desenha no mundo. E que o empresariado brasileiro deve se alinhar com as estratégias de primeiro emprego, inovação tecnológica, exportação e investimentos em infraestrutura do governo federal. Apenas nesse projeto, 1500 novos empregos deverão ser gerados, assim como 150 milhões de dólares anuais em exportações de software do País nos próximos três anos.

Segundo Meth, é hora de termos coragem, investir e abrir novos mercados. Não devemos apenas nos contentar em exportar, as devemos, isto sim, vender nossos produtos e serviços no exterior – e, ao mesmo tempo, aumentar nossa capacidade de gestão do conhecimento para defender nosso mercado interno, defender não com protecionismo, mas sim, com capacidade competitiva.

Temos de gerar esta cultura exportadora, para entrarmos e nos mantermos atuantes nos mais diversos mercados, representando o Brasil nesse mundo globalizado, com qualidade, criatividade e profissionalismo, buscando sempre os três Es do Crescimento sustentável, finaliza Meth.
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